FRANTEC ENGENHARIA
Mezanino de aço

Dicas para reduzir peso nos projetos de estruturas metálicas

 

Você com certeza já sabe que o preço do aço no mercado sofreu um aumento gigantesco em um curto período de tempo. E já deve ter percebido que Isso mexeu com a estratégia de todos os participantes do mercado, inclusive nós, calculistas de estruturas de aço.

 

Mas te digo com segurança,

 

Não se preocupe tanto com isso, não é a primeira vez que isso acontece, e não será a última. A principal preocupação deve ser outra: você precisa compreender como o mercado reage a essas mudanças para se adaptar a essa situação e entregar exatamente aquilo que os seus clientes precisam para garantir seu espaço no mercado.

 

Para começar a compreender,

 

É preciso ter a consciência de que aumentos do preço do aço é algo que sempre aconteceu de tempos em tempos e esse é o fator responsável por gerar uma sensação de urgência nos clientes, forçando projetos a saírem do papel. É aquela velha e conhecida história: o fabricante passa o orçamento para o cliente mas já avisa que recebeu do fornecedor a informação que o preço do aço vai subir na próxima semana. Então para não pegar o aumento o cliente "dá seus pulos" e inicia a execução da obra. Isso sempre aconteceu, e sempre vai acontecer.

 

Portanto, num primeiro momento,um aumento no preço do aço como o que vivenciamos esse ano gera também um aumento de demanda, isso é perfeitamente normal, e foi isso que meus clientes perceberam durante os sucessivos aumentos de preço que atravessamos nos últimos meses. Claro que não posso falar por todos, cada empresa sentiu os últimos eventos de uma forma diferente, mas entre os meus clientes fabricantes de estruturas de aço, a percepção predominante foi justamente essa: uma certa surpresa pelo aumento de demanda em meio a um cenário de grande complexidade e incerteza na economia.

 

Contudo, perceba que esse aumento de demanda vem acompanhado de outro fenômeno: uma maior pressão dos clientes para baixar o peso das estruturas. Foram vários os orçamentos que o cliente me perguntava se "dava pra fazer mais leve pra viabilizar".

 

E a resposta é sempre a mesma: "Claro que é possível, mas isso vai te custar mais trabalho do que o normal." Na verdade eles sempre pedem isso, mas nessa época que estamos passando, isso se tornou uma questão mais séria do que o normal.

 

Sim, afinal, uma das grandes vantagens das estruturas de aço é a versatilidade para criar formas e concepções cada vez mais eficientes, aumentando a rigidez e estabilidade das peças, mas o custo disso sempre é aumentar o trabalho do construtor, e nem sempre eles estariam dispostos a isso.

 

Nem sempre os projetos mais leves serão os mais adequados ao mercado em todos os momentos, isso depende muito da época. Em épocas de mercado muito aquecido por algum estímulo no mercado, como em 2013 e 2014 em que grandes obras de infraestrutura estavam acontecendo, copa do mundo, crédito do BNDES mais fácil, etc, os fabricantes preferiam projetos mais rápidos, mesmo que fossem mais pesados pois tinham a possibilidade de terminar logo uma obra para iniciar outra.

 

Já em épocas como as atuais, em que o preço do aço subiu rapidamente, o crédito não está mais tão acessível e as taxas de juros são maiores, mas o custo da mão de obra ainda não subiu tanto, a preferência é pelos projetos mais leves, mesmo que gerem mais trabalho.

 

Perceba que, somado a isso, hoje os clientes têm um maior poder para pressionar o preço dos fabricantes, que devido às incertezas causadas pelo cenário de pandemia muitas vezes preferem garantir o trabalho com uma margem de lucro menor do que correr o risco de deixar passar a oportunidade e ficar sem trabalho depois.

 

Portanto, fica claro que quem consegue enxugar o peso das estruturas atualmente está garantindo que seus clientes fechem seus orçamentos e está mantendo a demanda. Quem faz projetos muito pesados e não sabe como enxugar com segurança, sem fugir às normas, está fazendo seus clientes perderem orçamentos para aqueles que sabem como fazer isso e abrindo uma brecha para que seus clientes conheçam outros profissionais que são capazes de projetos mais leves

 

Não sou economista, então posso estar errado, mas eu arrisco dizer que neste ano não será muito diferente.

 

Pensando nisso nos próximos dias vou enviar alguns emails com dicas de como gerar economia nos projetos de estruturas de aço. O intuito é ajudar você a compreender como o aço se comporta como elemento estrutural e como você pode usar isso a seu favor.

Quando uma viga de piso está sofrendo com deslocamentos excessivos, algumas pessoas usam a solução de colocar vigas mais próximas umas das outras, diminuindo assim a responsabilidade de cada viga sobre o carregamento. Isso funciona mas não é a melhor opção, pois vai acabar criando mais peças, mais ligações, mais trabalho e o impacto sobre a flecha não é tão bom assim. Pra falar a verdade o impacto disso é proporcional à distância entre duas vigas: Se com uma distância de 2m entre vigas, a flecha era 10mm, ao colocar vigas distanciadas de 1m uma da outra a flecha vai tender aos 5mm, com o custo de dobrar a quantidade de vigas, e consequentemente dobrar o peso da sua grelha de piso.

 

Nesse caso é melhor respeitar a máxima distância que o elemento que se apoia sobre a viga tolera, e combater a flecha com rigidez (EI/L). Ou seja: se sobre a viga vai se apoiar uma laje que foi calculada para um vão entre apoio de 4m, use os 4m e corrija a deformação com Inércia e rigidez nas ligações. Dessa forma você simplifica sua grelha colocando menos peças, e corrige o problema da deformação com rigidez, que é o ideal.

Não menospreze os contraventamentos.

Os contraventamentos são essenciais para quem quer criar rigidez e estabilidade ao mesmo tempo numa estrutura. Quando colocados nas faces frontais e posteriores de estruturas de galpão, são capazes de criar uma tal rigidez que você pode ignorar qualquer compressão que apareça nas terças do meio do galpão ou da cobertura, calculando-as apenas à flexão pura. Também são capazes de tornar as extremidades dos seus nós tão rígidos, que passam a determinar o comprimento de flambagem de vários pilares que estejam direta ou indiretamente ligados a eles. Reduzir o comprimento de flambagem de um pilar pela metade, pode quadruplicar sua resistência à compressão, e isso pode ser feito ao mesmo tempo para um grande número de pilares apenas colocando um contraventamento na posição certa. Para compreender melhor o assunto dos contraventamentos, sugiro ler essa postagem aqui:

Há uma falsa percepção geral de que para criar treliças leves o melhor é sempre manter as diagonais preferencialmente tracionadas. Tome cuidado com proposições que começar com "sempre" e "nunca", principalmente em estruturas para edificações, afinal fazer isso nem sempre é possível, pois teremos combinações gravitacionais e combinações de vento de sucção distintas entre si, portanto o melhor que conseguiríamos fazer é manter as diagonais apontando para onde o maior esforço absoluto é tração. E um fato pouco lembrado é que toda diagonal tracionada se apoia em um banzo, tendendo a comprimi-lo, o que significa se priorizarmos apenas tração nas diagonais, vamos sobrecarregar os banzos com compressão.

 

A idéia aqui é buscar um equilíbrio, virando as diagonais para compressão toda vez que essa diagonal ela sobrecarregar um banzo e estabilizando-as com travejamentos, e manter as diagonais tracionadas quando a compressão no banzo estiver sob controle, afinal não adianta nada economizar nas diagonais e devolver tudo nos banzos, o melhor é manter o equilíbrio entre esforços.

 

 

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